Leituras
Uma coisa é fato quanto à este semestre: tenho lido muito! De literatura infanto-juvenil à Woolf, de Jonh Locke à Yu-Yu Hakushô!! Bom, mas também é fato que isso não chega a me incomodar, embora as vezes me canse um pouco, a verdade é que desde sempre eu amo ler: para estudos, lazer ou reflexão, e dois autores que gosto muito, e deixo trechos aqui, são reflexos do meu gosto literário: eclético! Do primeiro, Drummond, excertos de um livro fofíssimo (e tb profundo, pq não?) O Elefante. É uma história acerca de um garoto e seu elefante de brinquedo, delicadíssimo e belo:
Fabrico um elefante
de meus poucos recursos
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
[...]
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
O Outro é Leminski, do Agora que são elas, já leram? Um amigo me deu esse livro de presente e, confesso, até então só conhecia seus poemas, ainda não tinha travado contato com sua prosa... Livro muito bacana: não pra quem espera uma história linear e politicamente correta, mas pra quem sabe que a vida, em geral, não é muito isso não... =) Bom, o livro é bem a cara dele, pra quem já curte, vale a pena ler:
Parecia que nada ia adiante. Tudo tinha mudado, está certo. Mas tudo só mudava do parado para o parado. Minha relação com Norma passava meses sem que acontecesse nada. Não era o pior dos nadas, podia haver piores. A gente se via, até fizemos algumas coisas, mas nada podia disfarçar aquela falta entre nós, duas pessoas cuidando juntas da mesma planta carnívora. (p.104)
Fabrico um elefante
de meus poucos recursos
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
[...]
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê nos bichos
e duvida das coisas.
O Outro é Leminski, do Agora que são elas, já leram? Um amigo me deu esse livro de presente e, confesso, até então só conhecia seus poemas, ainda não tinha travado contato com sua prosa... Livro muito bacana: não pra quem espera uma história linear e politicamente correta, mas pra quem sabe que a vida, em geral, não é muito isso não... =) Bom, o livro é bem a cara dele, pra quem já curte, vale a pena ler:
Parecia que nada ia adiante. Tudo tinha mudado, está certo. Mas tudo só mudava do parado para o parado. Minha relação com Norma passava meses sem que acontecesse nada. Não era o pior dos nadas, podia haver piores. A gente se via, até fizemos algumas coisas, mas nada podia disfarçar aquela falta entre nós, duas pessoas cuidando juntas da mesma planta carnívora. (p.104)
*
Esse do Leminski é até, de certa forma, um contraponto ao ideal expresso no texto do Chico, logo abaixo. Duas visões, duas alternativas, para situações semelhantes...
Comentários
Gostei muito.
Lindo dia
beijos