Prisões

O sufoco de viver no cárcere que oprime por sua exigência de limites e paredes, de ordem e limpeza, de alinhamento a um estado que não lhe pertence, não lhe é peculiar. A obediência às ordens, aos fatores externos e, portanto, estranhos, impera: não se pode sentir prazer, não se pode falar sobre as dores, não se pode deixar levar pela violência que todos, uma hora outra, sentem latejar, pela volúpia que insiste, persiste, mesmo que sob a forma de um pretenso êxtase religioso. Não há alinhamento natural, não há um desejo intrínseco e natural a perseguir: inexiste alguma forma de perfeição a ser alcançada. O que há é a selvageria que persiste em tomar corpo, em se manifestar seja no mundo exterior, seja na interioridade do indivíduo. Tudo o mais é estranho, tudo o mais são tentativas de sufocar, de regrar o que, a princípio, não tem regras ou leis. O mundo, o ser humano, são outras coisas.

* texto formulado a partir de sentimentos e reflexões após assistir a peça Hysteria, do Grupo XIX de Teatro.

Comentários

Théo Raymond disse…
Como deslocado emocional, suplico de forma desesperda, asilo político em pequenas doses ilicitas e licitas.
"Foucault, a primeira vítima intelectual do mal do secúlo"(Brecht).

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