História e Arte, Fruição e Reflexão
Está em cartaz no CCBB uma mostra de filmes do Almodóvar e do Woody Allen até setembro, com exibições com suporte de DVD gratuitas. Ontem eu fui rever o Tudo sobre minha mãe e mais uma vez saí com aquela sensibilidade aflorada, uma emoção difícil de explicar mas que todos que já se sentiram tocados, de um modo ou de outro, por uma obra de arte sabem como é.
Na primeira vez que vi este filme fiquei mais intensamente presa ao roteiro, à linearidade dos fatos do enredo. Ontem não: percebi a beleza das cores, a interpretação, os diálogos e sua força, a direção tão característica desse grande diretor: Almodóvar é sempre um prazer! As mulheres de Almodóvar, idem.
Já o Woody Allen é aquilo: filmes que retratam o individualismo da época, as neuroses e problemas afins decorrentes do nosso tempo cada vez mais acelerado, atarefado nas mil e uma atividades úteis e fúteis do dia-a-dia. Allen é um exemplo cabal dessa loucura do século XX, do quão perdidos entre as diversas supostas alternativas que, dizem, estão aí disponíveis à "liberdade" individual de cada um de nós. Tempos difíceis e ardilosos.
Mas ainda há a opção de rirmos disso tudo e curtir a arte que pode ser produzida a partir do caos. Octávio Paz uma vez disse que "A história tem a realidade atroz de um pesadelo; a grandeza do homem consiste em fazer obras belas e duráveis com a substância real deste pesadelo. Ou, dito de outro modo: transfigurar o pesadelo em visão, liberar-mos, mesmo que por um só instante, da realidade disforme, por meio da criação."
Para os que puderem ir ao CCBB, super recomendado: duas sessões por dia durante a semana, três aos sábados e domingos. De grátis! =)
Na primeira vez que vi este filme fiquei mais intensamente presa ao roteiro, à linearidade dos fatos do enredo. Ontem não: percebi a beleza das cores, a interpretação, os diálogos e sua força, a direção tão característica desse grande diretor: Almodóvar é sempre um prazer! As mulheres de Almodóvar, idem.
Já o Woody Allen é aquilo: filmes que retratam o individualismo da época, as neuroses e problemas afins decorrentes do nosso tempo cada vez mais acelerado, atarefado nas mil e uma atividades úteis e fúteis do dia-a-dia. Allen é um exemplo cabal dessa loucura do século XX, do quão perdidos entre as diversas supostas alternativas que, dizem, estão aí disponíveis à "liberdade" individual de cada um de nós. Tempos difíceis e ardilosos.
Mas ainda há a opção de rirmos disso tudo e curtir a arte que pode ser produzida a partir do caos. Octávio Paz uma vez disse que "A história tem a realidade atroz de um pesadelo; a grandeza do homem consiste em fazer obras belas e duráveis com a substância real deste pesadelo. Ou, dito de outro modo: transfigurar o pesadelo em visão, liberar-mos, mesmo que por um só instante, da realidade disforme, por meio da criação."
Para os que puderem ir ao CCBB, super recomendado: duas sessões por dia durante a semana, três aos sábados e domingos. De grátis! =)
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PS: não registrei antes, e agora talvez esteja um pouco tarde, mas 30/07 foi um dia de tristeza para quem ama cinema: a perda de dois grandes cineastas, Bergman e Antonioni. Nem precisa dizer, amo Bergman e é uma tristeza sua partida. Enfim, mas como bem lembrou um coment na comunidade do orkut, breve é a vida e longa é a arte. Amém.
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