Do lembrar e esquecer
De A invenção do cotidiano, Michel Certeau (p.165)
A coisa mais estranha é sem dúvida a mobilidade dessa memória onde
os detalhes nunca são o que são: nem objetos, pois escapam como tais; nem
fragmentos, pois oferecem também o conjunto que esquecem; nem totalidade, pois
não se bastam; nem estáveis, pois cada lembrança os altera. Esse “espaço” de um
não-lugar que se move com a sutileza de um mundo cibernético. Constitui
provavelmente (mas esta referência é mais indicadora que esclarecedora,
remetendo ao que nós não sabemos) o modelo da arte de fazer, ou desta métis que, aproveitando as ocasiões, não
cessa de restaurar nos lugares onde os poderes se distribuem a insólita
pertinência do tempo.

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