Cinema - Golpe de Mestre
O texto a seguir foi publicado na coluna Cine Clássicos do Salada de Cinema e fala de um dos filmes que mais gosto de ver e rever: Golpe de Mestre. Bom, ao texto:
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Roteiro impecável de uma história que provavelmente te prenderá, e
surpreenderá, durante as suas duas horas de duração. Mescla de comédia e
elementos de policial, Golpe de Mestre é um filme de 1973 dirigido por George Roy Hill, filme no qual repete a trinca premiada e elogiada por Butch Cassidy and Sundance Kid
(faroeste de 1969): a direção do próprio Hill somada às atuações dos
protagonistas Paul Newman e Robert Redford. O resultado é um filme
leve, com uma história muito bem costurada pelo roteiro premiadíssimo de
David S. Ward – inspirado em The Big Con de David W.
Maurer – sobre os trapaceiros e vigaristas que aplicavam golpes nas idas
primeiras décadas do século XX nos Estados Unidos.
O tom do filme é de contar mesmo uma história (ou um conto), e começa
justamente com a realização de um golpe pela dupla formada pelo
veterano Luther Coleman (Robert Earl Jones) e o jovem Johnny Hooker
(Robert Redford). Esse fato determinará o rumo dos personagens e do
enredo: a história de um golpe, grandioso, a ser aplicado por um grupo
de trapaceiros liderados por Henry Gondorff (Paul Newman, mais uma vez
brilhante), com importante parceria de Hooke (o golpe do telégrafo). O alvo da
vez é Doyle Lonnegan, interpretado por Robert Shaw, chefe mafioso
envolvido com vários ramos de crime, desde trapaça em pôquer a apostas
em casas de jogos.
O cenário é a Chicago dos anos 30 e a trilha sonora é ragtime, gênero
musical do final do século XIX norte-americano, caracterizado por um
tempo musical desigual, sincopado, para dançar ou ao menos balançar pés
ou, para manter fidelidade ao estilo, sacudir alegremente as mãos. The
Entertainer é a música chave da película, composta por Scott Joplin, de
1902. The Enternainer dá o tom do filme, dialoga com os personagens, com
a esperteza dos golpes, com o clima de possibilidades de saídas
proibidas, por que ilegais, da história… Aliás, o fato dessa ser uma
música de um período anterior ao da ambientação do enredo gerou algumas
críticas, superadas em parte pela qualidade da trilha sonora, como
também por ter cumprido o papel de apresentar o ragtime, predecessor do
jazz, às novas gerações.
Dividida em partes (Os jogadores – apresentados ainda nos créditos
iniciais; O esquema; A isca; O enredo; O telégrafo; O guichê fechado e O
grande golpe), assistimos o passo a passo de elaboração e execução de
um plano, nos tornamos cúmplices e mesmo simpáticos a esses trapaceiros
que defendem seu estilo de vida (Gondorff diz a certa altura do filme
que a Chicago de antes era mais tranquila devido aos conchavos com a
corrupta polícia, mas que isso não era exatamente uma vantagem já que
“Não faz sentido ser um vigarista se é o mesmo que ser um cidadão”).
Entretanto, o que se revela gradualmente no sempre surpreendente
encadeamento de fatos e truques, é que também nós, expectadores, não
sabemos exatamente de todos os detalhes… Ou sabemos? Nosso entendimento
da história seria também parte do truque?
Cada um só descobrirá seu ponto de vista, e a validade dele, ao final
dessa história! A química entre os atores, os figurinos minuciosos e
premiados de Edith Head, a ambientação de época detalhada, as frases de
efeito e divertidas, o suspense e o humor; essas e outras
características tornam The Sting uma diversão! Ganhador de sete
prêmios no Oscar de 1974, incluindo melhor filme, direção e roteiro,
concorreu com produções também aclamadas como a obra-prima de Ingmar
Bergman, Gritos e Sussurros (que ganharia apenas o prêmio de melhor fotografia, uma daquelas lacunas de Hollywood em seus critérios de premiação) e O Exorcista (prêmios de melhor roteiro adaptado e som).
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